Google+ Badge

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O Amor - Khalil Gibran



E alguém disse:
Fala-nos do Amor:

- Quando o amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem, entregai-vos;
ainda que a espada escondida na sua plumagem
vos possa ferir.

E quando vos falar, acreditai nele;
apesar de a sua voz
poder quebrar os vossos sonhos
como o vento norte ao sacudir os jardins.

Porque assim como o vosso amor
vos engrandece, também deve crucificar-vos
E assim como se eleva à vossa altura
e acaricia os ramos mais frágeis
que tremem ao sol,
também penetrará até às raízes
sacudindo o seu apego à terra.

Como braçadas de trigo vos leva.
Malha-vos até ficardes nus.
Passa-vos pelo crivo
para vos livrar do joio.
Mói-vos até à brancura.
Amassa-vos até ficardes maleáveis.

Então entrega-vos ao seu fogo,
para poderdes ser
o pão sagrado no festim de Deus.

Tudo isto vos fará o amor,
para poderdes conhecer os segredos
do vosso coração,
e por este conhecimento vos tornardes
o coração da Vida.

Mas, se no vosso medo,
buscais apenas a paz do amor,
o prazer do amor,
então mais vale cobrir a nudez
e sair do campo do amor,
a caminho do mundo sem estações,
onde podereis rir,
mas nunca todos os vossos risos,
e chorar,
mas nunca todas as vossas lágrimas.

O amor só dá de si mesmo,
e só recebe de si mesmo.

O amor não possui
nem quer ser possuído.

Porque o amor basta ao amor.

E não penseis
que podeis guiar o curso do amor;
porque o amor, se vos escolher,
marcará ele o vosso curso.

O amor não tem outro desejo
senão consumar-se.

Mas se amarem e tiverem desejos,
deverão se estes:
Fundir-se e ser um regato corrente
a cantar a sua melodia à noite.

Conhecer a dor da excessiva ternura.
Ser ferido pela própria inteligência do amor,
e sangrar de bom grado e alegremente.

Acordar de manhã com o coração cheio
e agradecer outro dia de amor.

Descansar ao meio dia
e meditar no êxtase do amor.

Voltar a casa ao crepúsculo
e adormecer tendo no coração
uma prece pelo bem amado,
e na boca, um canto de louvor.
Khalil Gibran

4 comentários:

  1. "...Conhecer a dor da excessiva ternura.
    Ser ferido pela própria inteligência do amor,
    e sangrar de bom grado e alegremente."

    Um poema reflexivo que serena a alma
    quando ela traz a luz do conhecimento
    tão bonitos ensinamentos.

    Maravilhoso,muito grata por partilhares

    Meu abraço

    http://loubahsofia.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá amiga.
      Seja bem vinda a esse cantinho que, não é somente meu. Foi feito, com carinho para todos.
      Jesus nos ensinou e exemplificou esse Amor. Infelizmente, ainda trazemos dentro de nós, os inimigos, tais como: a vaidade, o orgulho, o egoísmo que nos impedem de conhecer o Amor verdadeiro.Porém, um dia, por termos dentro de nós a semente Divina ela germiná e daremos Bons Frutos.
      Muito obrigada, por sua visita e por seu comentário.
      Fique com Deus e muita Paz!

      Excluir
  2. E por mais que falemos do amor impossivel é descreve-lo. Ele nasce nas profundezas do ser e tudo pode pelo simples prazer de dar-se. E um dia não sei quando saberemos o que é o amor.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Maria, prazer tê-la aqui.
      Com certeza, um dia, depois de um trabalho árduo, feito no silêncio de nossos corações, conheceremos esse Amor de que nos falou Jesus e que, tão bem nos fala Khalil Gibran.
      Obrigada por comentar e pela visita.
      bjs
      Lúcia

      Excluir